domingo, 19 de abril de 2009

Sonhos - Por Sadhu Arunachala (Major Alan Chadwick)




“Somos feitos da mesma coisa que os sonhos e nossa curta vida é rodeada por
um sono.”
(Shakespeare)


Shakespeare realmente sabia sobre o que estava falando e isto não era
somente efervescência poética. Maharishi costumava dizer exatamente a mesma
coisa.
Suponho que eu tenha questionado Bhagavan sobre esse assunto com
mais freqüência do que outros, apesar de algumas dúvidas sempre
permanecerem para mim. Ele sempre avisou que assim que uma dúvida fosse
esclarecida, outra surgiria no lugar da primeira, num processo sem fim.
“Mas Baghavan”, eu repetia, “sonhos são desconexos, enquanto que o
estar acordado continua de onde havia parado e é tido por todos como algo
contínuo”.
“Você diz isso nos seus sonhos?” Bhagavan perguntava. “Eles pareciam
perfeitamente consistentes e reais enquanto aconteciam. Somente agora,
enquanto acordado, é que você questiona a realidade da experiência. Isto não tem
lógica.”
Bhagavan se recusava a ver a menor diferença entre os dois estados, e
nisso ele concordava com todos os grandes Videntes Advaitas. Alguns
questionaram se Sankara não teria traçado uma linha de diferença entre estes
dois estados, mas Bhagavan persistentemente negava isto. “Sankara só fez esta
divisão aparente para o propósito de uma exposição mais clara”, Maharishi
explicava.
Mesmo que eu tentasse alterar meu modo de perguntar, a resposta que eu
recebia era sempre a mesma:
“Coloque suas dúvidas dentro do próprio sonho. Você não questiona o estar
acordado quando você está acordado, você o aceita. E o aceita da mesma
maneira que você aceita os seus sonhos. Vá além desses dois estados, e do
terceiro – o sono profundo. Estude-os a partir daquele ponto de vista. Você está
estudando uma limitação do ponto de vista de outra limitação. Poderia algo ser
mais absurdo? Vá além de todas as limitações, e então volte com suas dúvidas.”
Apesar disso, as dúvidas ainda permaneciam. De algum jeito, eu sentia,
enquanto sonhava, que havia algo de irreal nos sonhos; não era sempre, mas
alguns lampejos vez ou outra.
“Isso também não vive acontecendo com você enquanto você está
acordado?” Bhagavan perguntava. “Às vezes você não sente que o mundo em
que você vive e as coisas que estão acontecendo não são reais?”
Mais uma vez, apesar de tudo isso, a dúvida persistia.
Porém, em uma manhã, me aproximei do Baghavan e, para seu
encantamento, entreguei-lhe um papel, onde estava escrito o seguinte:
“Bhagavan se lembra que eu expressei minhas dúvidas sobre a
semelhança entre o sonhar e o estar acordado. Na manhã de hoje, a maior parte
dessas dúvidas foram esclarecidas pelo seguinte sonho, que me pareceu
particularmente objetivo e real:
Eu estava discutindo filosofia com alguém e pontuei que todas as
experiências eram subjetivas, e que não havia nada além da mente. A outra
pessoa negava, mostrando o quão sólido as coisas eram e quão reais as
experiências pareciam, e que isso não poderia ser somente imaginação.
Eu respondia: ‘Não, nada é mais do que um sonho. Sonhar e estar
acordado são exatamente a mesma coisa.’
‘Você diz isso agora’, ele respondeu, ‘mas você nunca diria uma coisa
dessas no seu sonho.’
E então, eu acordei.”
De “Call Divine”, Março de 1954
(Tradução livre: Dênis Elias)

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